A Experiência Dolorosa no Contexto das Relações Familiares e de Apoio de Pacientes com Dor Crônica
Palavras-chave:
dor, dor crônica, família, rede de apoio, estratégias de enfrentamentoResumo
Objetivou-se, com este estudo qualitativo, compreender o desenvolvimento da história da dor crônica e da experiência dolorosa no contexto das relações familiares e de apoio de pacientes com dor crônica. Utilizou-se entrevista semiestruturada com dez participantes adultos que estavam em acompanhamento no serviço de acupuntura de um hospital escola da Região Sul do Brasil. Os dados foram analisados e organizados em quatro categorias principais, com base na Grounded Theory e contou-se com o auxílio do software Atlas.ti 22.1. Os resultados indicaram que a dor foi vista como uma experiência que atravessa a história familiar e que estava inserida nos vínculos construídos com figuras significativas, principalmente a mãe. Os recursos de enfrentamento dos familiares para manejar a dor mostraram as diferentes expressões e vivências, como medidas alternativas, estratégias medicamentosas e exercícios físicos. Observou-se uma postura ambígua no apoio prestado dentro das redes familiares e de amigos dos participantes, pois mesmo recebendo acolhimento e suporte, eles passavam por condições em que suas dores eram desconsideradas e/ou banalizadas. Este estudo avança evidenciando a importância de legitimar a dor crônica e as experiências dolorosas para além da dimensão física, uma vez que a dor desdobra-se no mundo relacional dos sujeitos perpassando os contextos individuais e familiares. Acredita-se que a trama singular das relações na qual o paciente está inserido constitui-se um desafio para as equipes multidisciplinares e os profissionais que atuam junto às famílias, já que elas afetam o entendimento da dor, assim como os recursos de enfrentamento e de adesão ao tratamento.